Evangelho do Dia 20191208

LEITURAS 

Is 11, 1-10

«Julgará os infelizes com justiça»

O Profeta anuncia o Enviado de Deus como Alguém que será ungido pelo Espírito Santo. É isto mesmo que significa a palavra Messias e o nome de Cristo, o Ungido. Um dia, Jesus aplicará a Si mesmo outra passagem do mesmo profeta que O apresenta igualmente como o Ungido de Deus. Jesus é realmente o Ungido, o Cristo de Deus e o Salvador dos homens. Pela sua acção salvadora, Ele vem reconduzir os homens ao novo paraíso, prefigurado nas imagens que, nesta leitura, recordam o paraíso perdido.

Leitura do Livro de Isaías

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.

 

Rom 15, 4-9

Cristo salva todos os homens

Jesus Cristo é o Salvador de todos os homens. Se nasceu entre os judeus, Ele nasceu para todos os povos. Se hoje é reconhecido apenas pelos cristãos, Ele veio chamar à mesma Aliança com o Pai todos os povos. As promessas feitas aos Patriarcas e Profetas no Antigo Testamento destinavam-se a todas as nações e foram então uma preparação, como ainda hoje nos preparam a nós para O reconhecermos e acolhermos, porque Ele continua a vir.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela paciência e consolação que vêm das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus. Pois Eu vos digo que Cristo Se fez servidor dos judeus, para mostrar a fidelidade de Deus e confirmar as promessas feitas aos nossos antepassados. Por sua vez, os gentios dão glória a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: «Por isso eu Vos bendirei entre as nações e cantarei a glória do vosso nome».

 

EVANGELHO segundo São Mateus, 3, 1-12

«Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus»

João Baptista, que veio à frente do Senhor a preparar-Lhe o caminho, é a grande figura deste Domingo. Para nós ele é também, hoje, o Precursor. E o caminho que nos aponta para nos levar a Jesus, ao reino dos Céus, é logo de início, a conversão, a penitência, o arrependimento em relação aos nossos caminhos mal andados, para que nos lancemos pelos caminhos de Jesus, que levam ao Pai. Só por aí se pode ir ao encontro do Senhor que vem; é esse o caminho do Advento.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naqueles dias, apareceu João Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». João tinha uma veste tecida com pêlos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre. Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão; e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Praticai acções que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu baptizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Tem a pá na sua mão: há-de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga».




Passo a Rezar

Meditação I de Mons. Pizzaballa

II Domingo do Advento

Como sempre, no segundo domingo do Advento, a liturgia apresenta-nos a figura de João Baptista, a primeira das duas grandes figuras que nos acompanham no caminho do Advento.
Para nos ajudar a reconhecê-lo, Mateus começa por nos dar informações sobre a forma como ele está vestido: trazia uma veste em pelo de camelo, com um cinto de couro à volta da cintura (Mt3,4). Não se trata de um simples detalhe, ou de uma particularidade sem importância, mas de uma referência evidente às vestes do profeta Elias, que é descrito no início da sua missão como “um homem usando uma veste de pele; um cinto de couro à volta dos rins. (2 Reis1,8).
Mais tarde, (Mt. 11-10; 17,10 q 13), o próprio Jesus confirma, por duas vezes, esta identificação entre Elias e João.
A aparição de João no deserto significa que toda a espera messiânica do povo de Israel tem o seu cumprimento em algo de grande que está para acontecer.
Tais notícias suscitam movimento, espera, esperança: as pessoas vão ao deserto, lugar de conversão e de escuta para verem este novo Elias enviado pelo céu.
E no deserto João “prega” (3,1) justamente isto, que o reino dos céus está próximo.
Confirma a boa-nova, aquela porque todo o mundo espera, a notícia de um Deus que se faz próximo, que cumpre as suas promessas, que vai visitar o seu povo. “Aquele que vem depois de mim” diz João (3,11).
Se é verdade que o Reino de Deus está próximo, então precisamos de nos preparar para o acolher, que é exactamente a missão de João (3,11): o evangelista Mateus tem o cuidado de introduzir aqui o profeta Isaías (Is. 40,3) em que uma voz misteriosa e anónima pede ao povo para preparar o caminho do Senhor que está de volta.
E esta voz faz-se de novo ouvir, é a voz de João Baptista. Tudo vai no sentido de um cumprimento que se começa a realizar.
É tempo de se prepararem, mas como?
Primeiro é preciso preparar-se, mas como?
João Baptista dá a este propósito indicações fundamentais, mas muito simples.
Primeiro, alerta-nos para um perigo o de se pensar que se está pronto.
É o perigo dos fariseus e dos saduceus (Mt. 3,7) que aparecem pela primeira vez no Evangelho. João interpreta o pensamento deles mostrando que está baseado numa ideia de que a pertença a um povo, a uma tradição é suficiente para se sentirem salvos, para estarem em ordem. ”Não digam a vós mesmos: Abraão é nosso pai” (Mt.3,9). É inútil recorrer a tudo isto.
Assim, o verdadeiro obstáculo para chegar ao Senhor não é, paradoxalmente, o pecado, mas a presunção de se ser justo.
João também não pede que se faça algo de especial como jejuar, praticar a ascese ou observar os rituais. É necessário, antes de mais converter-se.
A palavra conversão é uma palavra-chave do Evangelho de hoje: é repetida pelo menos três vezes.
O que significa converter-se? São aqueles que acorrem para junto de João: “Pediam para serem baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus os seus pecados” (Mt.3,6). Converter-se significa ter a atitude humilde daquele que reconhece a sua própria indignidade e o mal que o habita, a sua necessidade de salvação, uma atitude que que se abre à misericórdia do Senhor.
Esta é, para o Evangelista Mateus, a única forma de se preparar o caminho do Senhor.
Parece tão simples e, no entanto, todos sabemos que não é assim…
O Messias, esperado por Baptista é, antes de mais, um juiz e assim o vemos a partir das imagens que utiliza para o descrever: o machado para abater as árvores que não dão fruto, a pá para bater e separar o trigo e, depois queimar-se a palha. Estas expressões mostram um juiz que tem uma solução para o problema do mal e do pecado que todos esperavam, e a que o homem podia, por si, imaginar: eliminar o pecado e os pecadores. São palavras que têm uma certa carga de violência…
As coisas não serão exactamente como ele previa e o primeiro a espantar-se com este Messias, verdadeiramente novo e diferente, será o próprio João Baptista. É ele que, no Evangelho de hoje, tão seguro de si-próprio e tão claro que, da sua cela na prisão, perplexo pelo que ouve sobre Jesus, que diz e faz coisas imprevisíveis, vai enviar um dos seus discípulos para lhe dizer: “És tu, aquele que está para vir, ou devemos esperar por um outro? (Mt. 11,3). És verdadeiramente aquele de quem anunciei a chegada ao Jordão quando apelei o povo para a sua conversão?
Na sua resposta, Jesus remete para as profecias de Isaías, que leremos durante o Advento: “Os cegos retomarão a visão, os coxos andarão, os leprosos serão purificados, os surdos ouvirão, os mortos ressuscitarão, e os pobres receberão a Boa-Nova (Mt 11,5). Sim, diz Jesus, sou eu e cumpro o que está escrito. Ou seja, Ele convida-o a que volte ao verdadeiro sentido da sua vinda, que é o anunciado pelo profeta Isaías. Por outras palavras, Jesus convida-o a libertar-se das sua pequenas esperas pessoais para deixar lugar à Sua palavra de salvação.
E será esta a conversão pessoal de Baptista. E que poderia também ser, um pouco, a nossa.
+ Pierbattista

 

Meditação II de Mons. Pizzaballa

Solenidade de Nossa Senhora da Conceição

A palavra-chave do Evangelho da Anunciação, que lemos nesta festa da Imaculada Conceição, é a palavra “graça”.
Encontramo-la, pela primeira vez, no versículo 28 quando o anjo chama a Maria “cheia de graça”.
Ele não o faz por desconhecer o seu nome: imediatamente a seguir, ele chama-a pelo seu nome, Maria. Mas aqui, as primeiras palavras, “cheia de graça” parecem ser exactamente o seu nome.
Encontramo-la, de novo, no versículo 30: “Não temas, Maria, por encontraste a graça junto do Senhor”.
Maria é uma mulher tocada pela graça do Senhor “ela não tem outras prerrogativas, outras capacidades ou possibilidades, nem outros títulos ou méritos. Com efeito, tudo nela está sob o signo da precariedade e da impotência: uma mulher, de uma aldeia desconhecida e periférica que nem sequer é casada.
Na verdade, na história da salvação, todo o acontecimento de eleição foi sempre nesta direcção: o que foi escolhido para servir o povo eleito, não o foi em razão de uma qualquer qualidade ou dom particular, mas pelo contrário, precisamente por essa falta de mérito; sempre foi assim, somente pela graça.
Podemos dizer que, ao entrar no Mundo para começar a nova e definitiva etapa da história da salvação, Deus reposiciona as fundações, instala bases sólidas. E estas assentam somente na graça.
A graça origina, ao princípio, confusão e perguntas, enche-nos de questões, dá-nos vertigens. (Lc 1,29:” Ao ouvir esta palavra, Maria ficou perturbada e interrogou-se sobre o que significaria esta saudação”)
Maria não entra na história como uma pessoa que sabe o que está a fazer, convencida do seu poder de responder ao que lhe pedem. Ela entra na história como alguém que está consciente que ser a eleita é sempre qualquer coisa de desproporcionado, excessivo, impossível para um único homem, qualquer coisa que está para lá da sua capacidade. É por esta razão que a graça exige sempre dos que a recebem uma ruptura, uma passagem. A graça surpreende sempre.
E a graça divina também colabora: ela não faz tudo, ela não se substitui, ela não se limita a dar ordens. Ela escolhe a via do diálogo porque a graça não se fia nem confia. No fundo, a graça é algo de extremamente frágil, porque como aceita depender do sim da jovem de Nazaré.
A graça torna o homem capaz de gerar algo de eterno. O anjo repete-o várias vezes quando diz que o que vai suceder a Maria será algo de grandioso, algo que não terá fim. (Lc. 1,32: “Será grande, será chamado filho do Muito Alto; o Senhor dar-lhe-á o trono de David, seu pai”).
Por fim a graça suscita um desejo. Ela não constrange, não impõe, não força ninguém, mas também não dá a liberdade de se ficar fechado nas pequenas coisas do seu eu. Ela suscita um imenso desejo. A resposta de Maria exprime de uma forma muito particular este vontade que imediatamente brotou nela: “que tudo seja feito segundo a tua palavra” (lc.1,38). Ela utiliza um tempo verbal raro, que não podemos traduzir nas nossas línguas, e que exprime claramente a sua participação, o seu desejo de que tudo se realize.
Ela faz nascer aquele desejo, face do qual, todos os outros empalidecem, e quando alguém sente esse desejo já não pode recuar, não pode senão obedecer ao que está no seu coração.
É exactamente isto o que Jesus fará: estenderá livremente a mão a muitas pessoas perdidas, e fará brotar nelas este desejo de transformar a vida.
Começámos com a palavra “graça”, terminaremos com a palavra “desejo”.
Assim, podemos dizer que os pilares da nova vida, que começa com este acontecimento misterioso na remota aldeia de Nazaré, podem ser precisamente estas duas palavras. De um lado, Deus, com a gratuidade e prevenção do seu amor. Do outro lado, o homem, despertado pela graça para uma mais profunda capacidade de desejo, de espera, de resposta, de graça.

+ Pierbattista

 

Catecismo da Igreja Católica

678. Na sequência dos profetas (650) e de João Baptista (651), Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um (652) e o segredo dos corações (653). Então, será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta a graça oferecida por Deus (654). A atitude tomada para com o próximo revelará a aceitação ou a recusa da graça e do amor divino (655). No último dia, Jesus dirá: «Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25, 40).

DOMINGO, 8 de DEZEMBRO de 2019


 Saiba mais sobre a OCSSJ em www.santosepulcro-portugal.org

Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém
Rua do Alecrim, 72 - R/C Dt.º
1200-018 LISBOA - PORTUGAL
Telef: + 21-3426853 - Fax: + 21-3474350
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Evangelho do Dia 20191208

LEITURAS 

Is 11, 1-10

«Julgará os infelizes com justiça»

O Profeta anuncia o Enviado de Deus como Alguém que será ungido pelo Espírito Santo. É isto mesmo que significa a palavra Messias e o nome de Cristo, o Ungido. Um dia, Jesus aplicará a Si mesmo outra passagem do mesmo profeta que O apresenta igualmente como o Ungido de Deus. Jesus é realmente o Ungido, o Cristo de Deus e o Salvador dos homens. Pela sua acção salvadora, Ele vem reconduzir os homens ao novo paraíso, prefigurado nas imagens que, nesta leitura, recordam o paraíso perdido.

Leitura do Livro de Isaías

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.

 

Rom 15, 4-9

Cristo salva todos os homens

Jesus Cristo é o Salvador de todos os homens. Se nasceu entre os judeus, Ele nasceu para todos os povos. Se hoje é reconhecido apenas pelos cristãos, Ele veio chamar à mesma Aliança com o Pai todos os povos. As promessas feitas aos Patriarcas e Profetas no Antigo Testamento destinavam-se a todas as nações e foram então uma preparação, como ainda hoje nos preparam a nós para O reconhecermos e acolhermos, porque Ele continua a vir.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela paciência e consolação que vêm das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus. Pois Eu vos digo que Cristo Se fez servidor dos judeus, para mostrar a fidelidade de Deus e confirmar as promessas feitas aos nossos antepassados. Por sua vez, os gentios dão glória a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: «Por isso eu Vos bendirei entre as nações e cantarei a glória do vosso nome».

 

EVANGELHO segundo São Mateus, 3, 1-12

«Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus»

João Baptista, que veio à frente do Senhor a preparar-Lhe o caminho, é a grande figura deste Domingo. Para nós ele é também, hoje, o Precursor. E o caminho que nos aponta para nos levar a Jesus, ao reino dos Céus, é logo de início, a conversão, a penitência, o arrependimento em relação aos nossos caminhos mal andados, para que nos lancemos pelos caminhos de Jesus, que levam ao Pai. Só por aí se pode ir ao encontro do Senhor que vem; é esse o caminho do Advento.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naqueles dias, apareceu João Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». João tinha uma veste tecida com pêlos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre. Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão; e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Praticai acções que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu baptizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Tem a pá na sua mão: há-de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga».




Passo a Rezar

Meditação I de Mons. Pizzaballa

II Domingo do Advento

Como sempre, no segundo domingo do Advento, a liturgia apresenta-nos a figura de João Baptista, a primeira das duas grandes figuras que nos acompanham no caminho do Advento.
Para nos ajudar a reconhecê-lo, Mateus começa por nos dar informações sobre a forma como ele está vestido: trazia uma veste em pelo de camelo, com um cinto de couro à volta da cintura (Mt3,4). Não se trata de um simples detalhe, ou de uma particularidade sem importância, mas de uma referência evidente às vestes do profeta Elias, que é descrito no início da sua missão como “um homem usando uma veste de pele; um cinto de couro à volta dos rins. (2 Reis1,8).
Mais tarde, (Mt. 11-10; 17,10 q 13), o próprio Jesus confirma, por duas vezes, esta identificação entre Elias e João.
A aparição de João no deserto significa que toda a espera messiânica do povo de Israel tem o seu cumprimento em algo de grande que está para acontecer.
Tais notícias suscitam movimento, espera, esperança: as pessoas vão ao deserto, lugar de conversão e de escuta para verem este novo Elias enviado pelo céu.
E no deserto João “prega” (3,1) justamente isto, que o reino dos céus está próximo.
Confirma a boa-nova, aquela porque todo o mundo espera, a notícia de um Deus que se faz próximo, que cumpre as suas promessas, que vai visitar o seu povo. “Aquele que vem depois de mim” diz João (3,11).
Se é verdade que o Reino de Deus está próximo, então precisamos de nos preparar para o acolher, que é exactamente a missão de João (3,11): o evangelista Mateus tem o cuidado de introduzir aqui o profeta Isaías (Is. 40,3) em que uma voz misteriosa e anónima pede ao povo para preparar o caminho do Senhor que está de volta.
E esta voz faz-se de novo ouvir, é a voz de João Baptista. Tudo vai no sentido de um cumprimento que se começa a realizar.
É tempo de se prepararem, mas como?
Primeiro é preciso preparar-se, mas como?
João Baptista dá a este propósito indicações fundamentais, mas muito simples.
Primeiro, alerta-nos para um perigo o de se pensar que se está pronto.
É o perigo dos fariseus e dos saduceus (Mt. 3,7) que aparecem pela primeira vez no Evangelho. João interpreta o pensamento deles mostrando que está baseado numa ideia de que a pertença a um povo, a uma tradição é suficiente para se sentirem salvos, para estarem em ordem. ”Não digam a vós mesmos: Abraão é nosso pai” (Mt.3,9). É inútil recorrer a tudo isto.
Assim, o verdadeiro obstáculo para chegar ao Senhor não é, paradoxalmente, o pecado, mas a presunção de se ser justo.
João também não pede que se faça algo de especial como jejuar, praticar a ascese ou observar os rituais. É necessário, antes de mais converter-se.
A palavra conversão é uma palavra-chave do Evangelho de hoje: é repetida pelo menos três vezes.
O que significa converter-se? São aqueles que acorrem para junto de João: “Pediam para serem baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus os seus pecados” (Mt.3,6). Converter-se significa ter a atitude humilde daquele que reconhece a sua própria indignidade e o mal que o habita, a sua necessidade de salvação, uma atitude que que se abre à misericórdia do Senhor.
Esta é, para o Evangelista Mateus, a única forma de se preparar o caminho do Senhor.
Parece tão simples e, no entanto, todos sabemos que não é assim…
O Messias, esperado por Baptista é, antes de mais, um juiz e assim o vemos a partir das imagens que utiliza para o descrever: o machado para abater as árvores que não dão fruto, a pá para bater e separar o trigo e, depois queimar-se a palha. Estas expressões mostram um juiz que tem uma solução para o problema do mal e do pecado que todos esperavam, e a que o homem podia, por si, imaginar: eliminar o pecado e os pecadores. São palavras que têm uma certa carga de violência…
As coisas não serão exactamente como ele previa e o primeiro a espantar-se com este Messias, verdadeiramente novo e diferente, será o próprio João Baptista. É ele que, no Evangelho de hoje, tão seguro de si-próprio e tão claro que, da sua cela na prisão, perplexo pelo que ouve sobre Jesus, que diz e faz coisas imprevisíveis, vai enviar um dos seus discípulos para lhe dizer: “És tu, aquele que está para vir, ou devemos esperar por um outro? (Mt. 11,3). És verdadeiramente aquele de quem anunciei a chegada ao Jordão quando apelei o povo para a sua conversão?
Na sua resposta, Jesus remete para as profecias de Isaías, que leremos durante o Advento: “Os cegos retomarão a visão, os coxos andarão, os leprosos serão purificados, os surdos ouvirão, os mortos ressuscitarão, e os pobres receberão a Boa-Nova (Mt 11,5). Sim, diz Jesus, sou eu e cumpro o que está escrito. Ou seja, Ele convida-o a que volte ao verdadeiro sentido da sua vinda, que é o anunciado pelo profeta Isaías. Por outras palavras, Jesus convida-o a libertar-se das sua pequenas esperas pessoais para deixar lugar à Sua palavra de salvação.
E será esta a conversão pessoal de Baptista. E que poderia também ser, um pouco, a nossa.
+ Pierbattista

 

Meditação II de Mons. Pizzaballa

Solenidade de Nossa Senhora da Conceição

A palavra-chave do Evangelho da Anunciação, que lemos nesta festa da Imaculada Conceição, é a palavra “graça”.
Encontramo-la, pela primeira vez, no versículo 28 quando o anjo chama a Maria “cheia de graça”.
Ele não o faz por desconhecer o seu nome: imediatamente a seguir, ele chama-a pelo seu nome, Maria. Mas aqui, as primeiras palavras, “cheia de graça” parecem ser exactamente o seu nome.
Encontramo-la, de novo, no versículo 30: “Não temas, Maria, por encontraste a graça junto do Senhor”.
Maria é uma mulher tocada pela graça do Senhor “ela não tem outras prerrogativas, outras capacidades ou possibilidades, nem outros títulos ou méritos. Com efeito, tudo nela está sob o signo da precariedade e da impotência: uma mulher, de uma aldeia desconhecida e periférica que nem sequer é casada.
Na verdade, na história da salvação, todo o acontecimento de eleição foi sempre nesta direcção: o que foi escolhido para servir o povo eleito, não o foi em razão de uma qualquer qualidade ou dom particular, mas pelo contrário, precisamente por essa falta de mérito; sempre foi assim, somente pela graça.
Podemos dizer que, ao entrar no Mundo para começar a nova e definitiva etapa da história da salvação, Deus reposiciona as fundações, instala bases sólidas. E estas assentam somente na graça.
A graça origina, ao princípio, confusão e perguntas, enche-nos de questões, dá-nos vertigens. (Lc 1,29:” Ao ouvir esta palavra, Maria ficou perturbada e interrogou-se sobre o que significaria esta saudação”)
Maria não entra na história como uma pessoa que sabe o que está a fazer, convencida do seu poder de responder ao que lhe pedem. Ela entra na história como alguém que está consciente que ser a eleita é sempre qualquer coisa de desproporcionado, excessivo, impossível para um único homem, qualquer coisa que está para lá da sua capacidade. É por esta razão que a graça exige sempre dos que a recebem uma ruptura, uma passagem. A graça surpreende sempre.
E a graça divina também colabora: ela não faz tudo, ela não se substitui, ela não se limita a dar ordens. Ela escolhe a via do diálogo porque a graça não se fia nem confia. No fundo, a graça é algo de extremamente frágil, porque como aceita depender do sim da jovem de Nazaré.
A graça torna o homem capaz de gerar algo de eterno. O anjo repete-o várias vezes quando diz que o que vai suceder a Maria será algo de grandioso, algo que não terá fim. (Lc. 1,32: “Será grande, será chamado filho do Muito Alto; o Senhor dar-lhe-á o trono de David, seu pai”).
Por fim a graça suscita um desejo. Ela não constrange, não impõe, não força ninguém, mas também não dá a liberdade de se ficar fechado nas pequenas coisas do seu eu. Ela suscita um imenso desejo. A resposta de Maria exprime de uma forma muito particular este vontade que imediatamente brotou nela: “que tudo seja feito segundo a tua palavra” (lc.1,38). Ela utiliza um tempo verbal raro, que não podemos traduzir nas nossas línguas, e que exprime claramente a sua participação, o seu desejo de que tudo se realize.
Ela faz nascer aquele desejo, face do qual, todos os outros empalidecem, e quando alguém sente esse desejo já não pode recuar, não pode senão obedecer ao que está no seu coração.
É exactamente isto o que Jesus fará: estenderá livremente a mão a muitas pessoas perdidas, e fará brotar nelas este desejo de transformar a vida.
Começámos com a palavra “graça”, terminaremos com a palavra “desejo”.
Assim, podemos dizer que os pilares da nova vida, que começa com este acontecimento misterioso na remota aldeia de Nazaré, podem ser precisamente estas duas palavras. De um lado, Deus, com a gratuidade e prevenção do seu amor. Do outro lado, o homem, despertado pela graça para uma mais profunda capacidade de desejo, de espera, de resposta, de graça.

+ Pierbattista

 

Catecismo da Igreja Católica

678. Na sequência dos profetas (650) e de João Baptista (651), Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um (652) e o segredo dos corações (653). Então, será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta a graça oferecida por Deus (654). A atitude tomada para com o próximo revelará a aceitação ou a recusa da graça e do amor divino (655). No último dia, Jesus dirá: «Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25, 40).

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